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As Mentiras Grandiosas da Minha Vida




Mais uma vez volto para casa em outra dimensão. Ignoro o ainda passar dos carros e as inúmeras pessoas que ainda estão na esquina imersos em seus problemas ou a rirem das besteiras que um certo nível de álcool já lhes causou... ignoro-os e limito-me a mais.

Nessas horas, poderia facilmente me perder nas volúpias do agora e pensar nas inúmeras coisas que ainda tenho que fazer... mas não... hoje, particularmente, eu penso em coisas maiores.

Não acho que estou apaixonada pela pessoa errada. E não vou utilizar como fuga o argumento de que tudo é um aprendizado e que todas as experiências nos enriquecem. Isso não é (nem nunca foi) motivo suficiente para se jogar em qualquer situação que apareça.

Por mais estranho que pareça eu pensei antes de me deixar apaixonar por ele... pensei e me apaixonei! E como me apaixonei!

Algumas poucas pessoas possuem um modo de viver muito peculiar. Elas são corajosas (ou covardes) o suficiente para viver unicamente para seu trabalho, transformando seus estudos na sua única realidade, aspirando a um brilhantismo ainda desconhecido. Eu sempre admirei estas pessoas, de certo modo. Sempre me perguntei como conseguem. Com quem conversam sobre seus conflitos internos? Esses pensamentos, irritantes por si só, que não seguem nenhuma lógica e brincam dissonantemente entre si? Eu enlouqueceria.

Mas... ele é desses. Desses que almejam grandes repercussões profissionais e que, portanto, fazem grandes esforços para tal. Ou seja, ele é desses que fazem grandes esforços e se cansam de todo o resto... todo o resto que, invariavelmente, já é por si só uma batalha. Quem há de ter forças para lidar com ambas as batalhas simultaneamente?

Ele fala como se eu fosse egoísta de querer entendê-lo, compartilhar suas aflições... afinal cabe a mim dividir uma batalha que é dele e cuja a qual nem ele próprio tem controle sobre? Quem sou eu para brigar com essa sua tão orgulhosa reclusão para os livros? Não sei, mas afirmo que sei. Quando ele assim fala, eu concordo com ele. Concordo que não posso esperar tal imersão em seus pensamentos ou em sua vida. Bela mentira. Cada acordo falso aumenta a minha resiliência e me faz sentir que quero-o de tal forma que pensaria sim em tornar minhas as suas batalhas... segredo meu. Por hora, afirmo pois, que limito-me a andar na estrada ao lado da dele, por mais imprudente que pareça. E não, isso não é uma mentira e muito menos um sonho ousado e grandioso de aluna apaixonada pelo professor, tal como você tanto prega nas inúmeras vezes que duvida do meu amor. Ora! Sou garota grandinha e sei o que faço. E mentir não é uma delas. Sonhar? Não sei, talvez. Sei que tudo isso parece totalmente irracional e que estou a perder meu tempo... mas não.

Sei que não é a melhor hora. E você está ocupado, sim também o sei. Pare com os discursos clichês, sim? Porque eu sei que algum dia você há de passar os olhos, nem que for só por 2 segundos por cima desse seu escudo e me ver. Afinal, você não está cansado das ínfimas vezes que olhou por cima do seu escudo e não ver nada além de paisagem? O quão bonita essa paisagem é para te satisfazer assim?

Espero somente que, quando você finalmente me notar, por sorte, não seja nas horas em que estou triste, derramando uma lágrima ou duas por você. É assim que as coisas são... mas garanto que não dou mais peso para essas lágrimas do que elas merecem, deixo-as passarem no meu rosto e caírem escondidos atrás de um sorriso. Pensando bem talvez eu minta sim. Mas afirmo: conto muitas mentiras na minha vida mas a que eu mais conto é “estou bem”. Grandes atrizes se perdem todos os dias...

Agora já é fim da noite. Fim da noite e fim da epifania, talvez...

Espero que a magnitude de sentimentos tão nobres quanto este amor nunca morra em mim, por mais que se altere as circunstâncias ou perante quem os dedico. São deles que tiro a minha essência e força. Ouso dizer que não irão.

E que essa seja tida como a minha maior ousadia, porque é bem capaz que seja a verdade.

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Créditos da imagem: corbisimages.com
Sad young woman sitting on a veranda, man in the background, por Nuno Pinto Fernandes

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