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Assim




É assim, de repente alguém se vai como se não tivesse vindo, é assim que sobram as fotografias, as pequenas lembranças agora doloridas, olhares gravados a ferro e fogo na alma de quem ficou, é assim, de repente não mais... a presença, a rotina, o cuidado, o ‘como foi seu dia’, ‘como está você’, o despedaçado ‘estou com saudades’, é assim, como disse Vinícius de Moraes, de repente, não mais que de repente é assim que ficam as digitais de outrem no coração sufocado, solitário, mesmo que mil pessoas estejam dentro dele, é assim, é mil menos uma, e essa uma era a essencial, é assim, ficam palavras, que foram ditas e que nunca se pronunciaram, ficam rancores, mágoas, o ‘nunca mais vou amar’, ‘você é um idiota’, ‘não sei como me envolvi’, ‘eu te odeio, eu te odeio, eu te amo, eu te amo, eu te amo’, fica tudo perplexo quando de repente alguém se vai, sem se despedir – mas nenhuma despedida aplacaria nada –, poucas explicações, muitas reticências, para o inferno com as reticências que são sentimentos covardes, mas explicações nunca são o bastante, apenas abraços e beijos, mas esses se foram rápido, demais, e de abraços imaginários já não sobrevive um cansaço, e é assim, alguém se vai, sem querer, acreditemos que sem querer, como se fosse para sempre, mesmo que por uma mínima esperança não seja, alguém se vai para outro planeta, e lembro que até as imperfeições eram perfeitas, os ciúmes e as brigas, as dúvidas que precisavam nos enlouquecer ás vezes para não haver marasmo, a estrada que nos separava, e a estrada era mais no coração que na BR, mas de repente, não mais que de repente você se foi e por isso eu estou indo embora, embora de mim, talvez não de você, nem o amor do fim, nem o não do sim...

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