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Crônica de Juan Toro

Começou o dia carregado pelo sono faltante, do deitar tarde e acordar cedo, ferver a agua, lavar o corpo e logo o copo.

Começa o dia com o resquício da noite de sonhos, do em sonhos. Pular em eles e andar enfrentando os pavores e os medos, encontrando os segredos e os prazeres do pouco fato em terreno.

Começa o dia e lembrar se faz primordial, quem sou ao final?

O dia está aqui e vou me ajustando conforme os segundos passam, faço memoria e relaciono cronologicamente o meu atual estado de graça/desgraça. Assumo minhas características e molho os lábios com o primeiro gole de agua do dia.

O dia. Ele começa na primeira atividade que se afasta do singular, começa no bom dia amor, no bom dia vizinho (a), no bom dia, me dê oito pães. As obrigações que julgamos serem cotidianas começam a ser desenvolvidas, e a cada minuto se espera devorar outros cinco minutos, devorar uma hora, e assim satisfazer as metas que julgamos serem cotidianas.

O dia cotidiano, o dia imundo
o que se afasta do meu mundo,
o dia sem persianas
o dia sem cortinas
o dia diário, o dia de todos os dias
este dia igual aos outros dias,
este dia feito, este dia perdido, este dia esperado, demorado, angustiado, mordido, exclamado, dia rugido, dia mundano, dia cigano, dia órfão, dia luz, dia noite, dia.

Começa a cada minuto uma nova fracção do que julgamos dia, porque cada pensamento dita um segmento do nosso humor e sentimento, temporal e condicionado, instável e impreciso.

O dia, cada dia abandona e enterra uma parte dele mesmo, e vai caboucando desesperadamente para fazer espaço ao tempo, ao restante do tempo. E assim se mutilando aos poucos vai andando sem fazer drama de lagrimas, nem drama de desgosto, simplesmente vai abrindo espaços, para os novos dias, para as novas fantasias e vestimentas, diálogos e oferendas.



Juan Toro

Livros:
ebook Futuras
Narrativas Vivas

E-Book Futuras II
PDF Futuras II


- Criador de Blog coletivo, Narrativas Vivas.
-Blog de poesia e narrativas, autoral. Palavras detidas.

Diretor e roteirista do curta metragem Silvano.

Publicação de poesias na revista Olhar.

Contato através do e-mail: castelojft@gmail.com

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Créditos da imagem:
Brumas do amanhecer, por Valter Patrial

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