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Garrincha: o coração da bola





Um burburinho no canto do gramado, uma conversa fiada ali e aqui, mas todos esperavam o “Mestre Digão” então técnico do Botafogo que daria sua habitual entrevista de toda segunda-feira e esta em especial após derrota espetacular para o Bangu desfalcado de seu principal jogador. Ao adentrar para a coletiva na beira do gramado mesmo, seu humor não é daqueles, e os poucos jornalistas ali foram como varejeiras para cima do treinador.

Arnaldo Castor, veterano jornalista da rádio Itapéra era um deles e astuto foi o primeiro a enfiar o microfone da cara do triste Digão.

- Treinador, o que achou da atuação do Botafogo? – E começa a saraivada de perguntas.

Digão responde mais do que depressa tentando terminar logo isso:

- Bom, o time rendeu o esperado, perdemos muito da substituição de Zequinha íiiii... – Blá, blá, blá, ia ele no linguajar boleiro.

E Arnaldo bombardeia:

- Você se sente ameaçado após esta vergonhosa derrota?

Digão se esforça pra manter a calma e olha de soslaio para seu antigo algoz de microfone, mas continua:

- Bom temos um contrato e vai até... final do ano e....

- Acha que esse ano o Botafogo cai pra segunda?

Digão vermelho retruca:

- Muitos acreditam no time, inclusive a torcida...

- Se acha um bom técnico? – E foi a gota d’água.

- Escuta aqui seu Filho da P... está querendo o que mais... – E a entrevista acabou.

Arnaldo é meio que empurrado para fora do tumulto de microfones, e até seus colegas o olham meio feio: “Pô Arnaldo exagerou, assim não dá né”, “Olha o profissionalismo”.

Todos com certeza lembram das velhas resenhas que ele colocava contra o futebol de Digão no Grande Botafogo, seu programa de Domingo que não era mais dele, onde judiava do técnico e analisava friamente seu futebol medíocre a frente do seu time de coração. Com certeza Arnaldo o espetara ali na entrevista, não resistira, já que agora era a ponta da espada da Rádio Itapéra.

Arnaldo Castor o grande jornalista das manhãs de domingo, onde apresentava o programa “Futebol e coração”, agora repórter de campo rastejava para as entrevistas enfadonhas de segunda feira e que se estendiam pela semana toda. Sacanagem tê-lo “rebaixado” à repórter após o desentendimento com um dos pupilos do Diretor da Rádio, nada gratuito, pois o pupilo era nada menos que o filho do Dono da Rádio, mas como levaram para o lado pessoal algo profissional. O Fato era que estava agora na sarjeta, no início, o começo de tudo, era um repórter de campo e não estava nada contente com isso.

Se retirou dali com o orgulho meio ferido, limpou o suor em sua testa calva e proeminente, tinha já seus 52 anos e a aposentadoria eminente fazia-o suspirar mais forte por temer acabar fora de seu programa para sempre.

De volta a redação estava lá seu chefe Irineu e o pupilo entre “abraços e beijos” quase que abraçados combinando a próxima pauta crê Arnaldo. Ao vê-lo Irineu sobressaltou-se e logo chamou o repórter de meia idade:

- Ô Castor! Me dá aquela pauta da matéria que te pedi.

Arnaldo encolhe o ombro como dizendo: Xiii, esqueci em casa. Era uma matéria que estava começando a escrever e daria uma boa história sobre Garrincha e o Botafogo, seria sua salvação e a volta para seu programa de domingo.

- Chefe esqueci em casa... ainda não comecei... – Mas não consegue terminar a frase.

- Pô Castor que porra é essa, assim não dá...- E emenda. – Agora que eu ia mostrar para o Adelino (Pupilo), você não trouxe a introdução, por que não esquece a cabeça?

Arnaldo só pedia desculpas.

- Ele tem umas ideias para o projeto, fala aí Adelino

E Adelino fala....

Mas Arnaldo não queria ouvir:

É hoje... Pensa.

No dia seguinte lá estava novamente Arnaldo Castor o grande jornalista se arrastando para o campo de treinamento do Botafogo, caramba não tinham lugar pior pra me mandar.

Ao entrar já vê o time em treino e Digão fazendo careta ao Vê-lo. Todos do time também o olham como predadores.

Se achega para perto do gramado que mais parece uma várzea, em nada lembra as glórias do passado, recebe uma bolada de Zequinha o craque do time, mas vê que foi mais por ruindade do que por querer mesmo. Tira o microfone da sua bolsa, seu bloco de notas, caneta, entre uma bufada e outra, mais um dia...

Olha ao redor, na arquibancada, um casal namorando, três garotos jogando bola, um senhor e um cachorro. Desiste, devolve todo o material para sua bolsa, sobe a arquibancada para escapar do calor e também do trabalho estafante.

Queria sumir dali, queria estar de volta ao seu público, ao bom futebol de domingo, por que estaria ali. Sentou acima na arquibancada, viu o time dar os primeiros toques no campo, deu risada irônica quando Zequinha isolou a bola. Esse é o craque do time? Perguntou sozinho.

- Também gosta de uma peleja de verdade?

Arnaldo viu que não estava só na arquibancada do campo de treinamento. O Sr. De chapéu o cumprimenta com um sorriso simpático e repete:

- Gosta?

Ele meio tonto abre e fecha os olhos novamente e no cérebro fala. Cada figura que me aparece.

- É.. Meu senhor, acho que agora temos que nos acostumar com um jogo destes... – E também sorri. – Acho que eu gostaria mesmo de ver uma “peleja de verdade”

O Sr. Aparentava ter uns 70, 80 anos e era de sorriso fácil, mordia um pão com mortadela e não desgrudava o olho do campo. Arnaldo olhou no campo, e novamente pensou: O que ele está vendo? E riu.

- Bom jogo... – Disse o Senhor

- É.. Bom jogo – E Arnaldo se aproximou do solitário torcedor.

Puxou um papo e soube que o Sr. Antônio, como de chamava, acompanhava os treinos desde sempre... Desde o início do time, isso desde as maiores glórias na década de 50. Tinha exatos 81 anos e parecia ser o único que não largara o time desde então. Comentou sobre os tempos de grandes jogos e onde dizia haver “uma peleja de verdade” Ria e se divertia ao lembrar disso. O tempo passou muito rápido para Arnaldo, entre conversas e risadas, sua pauta tinha se ido, voltou para casa tranquilo e mais relaxado.

O dia seguinte era o mesmo ritual, de volta ao campo do “Digão” e especialmente chateado estava Arnaldo, sua matéria sobre o Botafogo havia caído nas mãos do pupilo de Irineu e agora nem mais sua história sobre o futebol poderia ter, a matéria seria um bom resgate do futebol glorioso de outrora, e também seria sua salvação e seu programa de domingo de volta, se aposentaria com chave de ouro. Mas em mãos erradas acabaria sendo repórter de campo para sempre.

Entrou no campo de treinamento e deu uma olhada para Digão, mas foi direto para a arquibancada, onde estava seu novo amigo. Sr. Antônio.

- Mal dia? – Perguntou Sr. Antônio

- Sim Sr. Comecei mal o dia sim.

- É por isso que venho aqui, para não ter um mal dia...

Arnaldo não entende, como alguém poderia vir aqui para não ter um mal dia. Será que o velho era louco.

- Venho aqui... Isso me distrai, um bom jogo, gosto muito – Completa o Sr.

Arnaldo não tem nada a perder, e começa a entrevistar seu Antônio, imagina se ele puder passar sua experiência e a história dos grandes jogos poderia encaixar em sua matéria e salvaria sua carreira.

- Sr. Antônio já assistiu grande jogos?

- Meu caro amigo... mais do que isso, eu vi Garrincha jogar!

Arnaldo sentiu suas pernas bambas e sua garganta pinicar, era isso que acontecia quando ficava emocionado, a garganta pinicava. Ansiou por uma entrevista

- O Sr. Viu? – Como uma criança esperando um doce. Arnaldo pediu.

- Me conta Sr. Antônio, me conta os grandes jogos.

Embaixo no campo de treinamento Digão olha o repórter na arquibancada sem entender e como se quisesse dizer: “Mas ele não vai me entrevistar?”

Arnaldo chega na redação com sorriso radiante, alegre, muito alegre depois de dias de sofrimento na beira do gramado. Afinal agora tinha uma matéria, uma matéria sobre o futebol, tinha um personagem e poderia extrair muito dali. Mas logo sua alegria iria terminar.

-Cadê minha mesa?

Alguns colegas chegam a fazer xacota:

- O grande Arnaldo Castor não tem mais mesa... xiiiii!

- Irineu! Irineu! – Onde estava o Irineu.

Cadê minhas coisas?

Irineu entra pela porta já falando:

- Então sua mesa agora é do Adelino, achei melhor, mais espaçosa, enfim... Você se arruma ali no cantinho né – E apontou uma mesa quase atrás da porta e bem menor. – Ahh! Já ia esquecendo... Sê prepara a matéria sobre o futebol e arte até semana que vem ok?

Arnaldo tenta organizar seus pensamentos, semana que vem? Nossa! Imaginaria um mês de entrevistas e outros materiais para a entrega, uma semana, muito pouco tempo.

- Uma semana é muito pouco Irineu, ainda estou em pesquisa de campo e..

- Ou é isso ou é rua!! – Irineu não deixou ele falar – Ah parou de entrevistar o Digão? Precisamos de pauta cara!

Irineu era o tipo de pessoa que falava e já ia saindo, não deixava ninguém tentar dominá-lo, sua palavra tinha que ser a última. Quando Arnaldo tentou argumentar já ouvia a porta bater.

Filho da mãeeeeeee – Pensou só.

Bom lá estava ele com o Sr. Antônio no outro dia. Teria que ter um bom material e bem rápido se quisesse seu emprego de volta. O tempo será seu inimigo agora, mas sabia que tinha uma joia rara nas mãos.

- Sr. Antônio... Conte pra mim dos grandes jogos do Botafogo.

Sr. Antônio morde sua mortadela do dia a dia e depois de mastigar, olhar para o campo, fazer uns trejeitos como se quisesse cabecear a bola (Arnaldo olhou pra baixo e apenas viu o zagueiro escorregar sozinho), sorriu e começou:

- Era uma benção meu filho... ver o Mané jogar, era um dois, três “joões” (era assim que ele chamava os oponentes) que ele driblava em sequência, já driblou até o Nilton Santos sabia? Mas o Nilton dizia, era melhor jogar a favor dele, do que contra...

Arnaldo com sorriso e olhos marejados ouvia a história da glória. E Antônio continua:

- Me lembro como se fosse hoje... o Botafogo de “57” Adalberto, Tomé, Servilho, Nílton Santos, Pampolini e Beto. Garrincha, Paulo Valentim, Didi, Édson e Quarentinha. Que time!! O Botafogo goleou e foi campeão em cima do Fluminense, 6 a 2.

- Eu estava lá Arnaldo... Era um menino, 20 e tantos anos...

Arnaldo via o rosto de Sr. Antônio, alegre, faceiro, o olhar como se participasse da jogada, embaixo os pernas de pau do atual Botafogo, mas Antônio vibrando e olhando para o Gramado. Gramado? Arnaldo olhou e viu o gramado abaixo.

Chacoalhou a cabeça, mas estava ali o gramado limpo e verdinho do então Maracanã.

Esfregou os olhos mas viu ali abaixo o time prostrado para começar a “peleja”. Sentiu o vento no rosto, o cheiro de pipoca, misturado com brilhantina nos cabelos da época e chapéus, chapéus e ternos abundantes no estádio, sorriu como criança ao ver abaixo as crianças e mães gritando jubilantes em câmera lenta. Olhou para Antônio e viu seu sorriso e como se apontasse com os olhos para o campo querendo dizer: preste atenção no jogo!

E Arnaldo prestou.

Viu claramente o majestoso Botafogo começar a jogar o tão precioso futebol, viu Nílton Santos elegante dominar a bola e rolar com maestria para o mágico Didi. A bola parecia andar por um soneto de pé em pé até descansar nos pés do Grande Garrincha. Daí pra frente foi difícil conter as lágrimas, Arnaldo se deleitou nos dribles do camisa 11 e junto com Antônio também fez trejeitos com o corpo e cabeça para ajudar a marcar um dos 4 gols que Paulinho Valentim empurrou para as redes. Garrincha em corrida recupera a bola e cruza para Valentim marcar novamente com a coxa, escurinho e Valdo completaram a goleada, estes últimos acompanhados com pulos e gargalhadas de Arnaldo e Sr. Antônio.

Muitos jogadores do Botafogo choram junto com nossos torcedores, pois a partida já ganha ares de Grande vitória.

Arnaldo olha em sua volta, a arquibancada começa a ser a mesma, o gramado fica pelado novamente e os jogadores magníficos de outrora voltam a ser os mesmo de agora, o cheiro de pipoca se esvai, a alegria do povo cessa, e agora restam os dois na arquibancada, mas ainda em êxtase Arnaldo entende agora porque o Sr. Antônio se remexia em seu assento, e sorri.

Uma peleja de verdade!

Começa a escrever em casa, chega como se fosse uma máquina de inspiração, escreveria a melhor matéria dos últimos anos do esporte. O título seria: Garrincha, O Coração da Bola! Escreveu muito, chegou em casa às 18:00 e só foi parar de escrever às 4 da manhã, exausto, mas feliz. Havia começado uma história que iria alavancar novamente sua carreira, e tinha ali nas mãos algo inestimável, algo que após terminado com certeza viraria debate nas mais altas rodas do jornalismo esportivo.

No trabalho no dia seguinte Irineu já veio com tudo:

- E então?

Arnaldo debruçado no cantinho da sala até se assusta com a aparição.

- Já está acabando a matéria sobre o “futebol arte”? Sabe que essa coisa de futebol arte acabou né... agora o negócio é resultado.

Arnaldo ainda meio sonolento retruca:

- Tá quase Irineu, tá quase, larga um pouco do meu pé, e voltou para seu cantinho.

E era todo dia assim agora, Arnaldo chegava no campo do Botafogo, dava duas palavras com o técnico e depois subia para seu sonho mágico. Terminava o dia com Sr. Antônio, sua viagem maravilhosa ao mundo das glórias, ao mundo de Garrincha e os grandes jogos.

Numa destas entrevistas e viagens com Sr. Antônio via na beira do campo os empresários com seus filhos cabeças de bagre (ruins de bola) ansiosos por vê-los nos times de base do Botafogo.

Digão todo solicito e os tapinhas nada gratuitos em suas costas pelos empresários destoavam de Sr. Antônio que acima, na arquibancada prestigiava o time há mais de 4 décadas, ele, seu chapéu e o pão com mortadela, sem nada pedir em troca, apenas bom futebol, o que não via há muito tempo.

Arnaldo volta sua atenção para o grande Antônio.

- Me conte Antônio, me conte sobre Garrincha e a Seleção Brasileira.

- Ah meu caro Arnaldo... afoito como uma criança, mas é isso que esperamos do grande futebol, o brilho nos olhos e voltarmos a ser crianças por um instante, é isso que Garrincha era, uma criança com a bola, que nos faz sonhar...

Arnaldo lembra de um poema de Carlos Drummond falando sobre Garrincha:

“Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho”.

Lindamente colocado.

E Sr. Antônio leva pelas mãos Arnaldo de volta a 1962...

Arnaldo sente então todo o êxtase novamente e estava lá na Suécia de 1962, sentindo o cheiro e o clima da época, encheu os pulmões, viu o gramado, o público, a glória estava de volta, olho seu amigo com sorriso maroto e já sabia: “preste atenção no jogo” Que ótimo jogo, que bela tarde.

Arnaldo viu Garrincha driblar o time inteiro da Inglaterra, reza a lenda que Nilton Santos disse que tinha um tal de Fowler que ele não conseguiria driblá-lo, e Garrincha perguntou: Quem é esse Fowler? Então teve que driblar o time inteiro. Foi mágico, fenomenal, a melhor atuação de um jogador em uma copa e Arnaldo viu o Brasil ganhar por 3 a 1.

Arnaldo estava lá, incrível, estava na conquista do futebol, na vitória da arte sobre o marketing e o dinheiro, era apenas futebol em sua mais nobre essência. Olhava para o time do Botafogo de hoje, nem sombra de antigamente, a camisa com a estrela solitária não tinha mais espaço para patrocínio, e o amor ao time pelos jogadores não mais existia. Chorou, gritou, viva Garrincha, lembrou de seu filho, que como Sr. Antônio, era torcedor do grande Fogão.

- Viva!!! Viva!!! – Em lágrimas gritava viva ao Futebol arte.

E após se passar uma semana, seu material estava pronto, ótimo material, muito bom mesmo, era sua chave para o retorno, finalizou com o título encadernou sua joia e era hora de apresentar ao seu chefe.

Arnaldo voltou ao campo para dar a notícia ao seu amigo Antônio.

Chegou ao gramado, viu o time de sempre, foi subindo as arquibancadas, mas não viu o simpático Sr. Olhou em volta, o pessoal de sempre, os cachorros, os namorados, mas nada de Antônio. Voltou para a portaria, esperou mais uma hora, ele era assíduo durante anos e anos assistindo ao treino mas hoje não estava lá.

Péricles o guarda da portaria também estranhou e disse que não recebera nenhum recado, ninguém, nada. Onde estaria Sr. Antônio.
Arnaldo pensou ou pior.

Ligou para o contato que parecia ser de um filho que Antônio tinha.

- Alô quem fala? É Geraldo?

- Sim... Geraldo – Do outro lado falam com voz embargada

Antes de terminar Arnaldo já sabia.

Chegou na redação mais cedo, sentou em sua mesa, ninguém na sala, debruçou-se na mesa e pôs-se a chorar, chorou muito até secarem as lágrimas.

O pessoal foi chegando e ele lá debruçado.

Irineu chegou com seu atual humor e logo descobriu Arnaldo ali.

- Então está aíiii... Então, terminou a matéria?

Arnaldo o olhou com os olhos vermelhos, se levantou calmamente, encarou seu chefe como nunca havia feito e disse:

- Eu me demito!

Irineu sem entender, ficou pasmo, tremeu, babou, e vociferou:

- Mas não pode, e a matéria sobre o futebol?

Arnaldo pegou sua mochila, colocou nas costas, pegou seu boné do Botafogo e disse saindo:

- O Futebol morreu.

Depois de algum tempo estava Arnaldo e seu filho no Maracanã lotado vendo seu time do coração jogar um clássico, no campo estavam os de sempre: Zequinha e cia. Uma ruindade que dava dó, mas estava lá com seu filho para reviver alguns momentos que tivera. Olhava no público na arquibancada a alegria de um dia de domingo, olhou no meio da multidão e pareceu ver seu Antônio torcendo e fazendo trejeitos com a cabeça e corpo, prestigiando o verdadeiro futebol, sem marcas e interesses. Sorriu para ele, e olhou para seu filho alegre e em êxtase, e no brilho do seu olhar e seu sorriso percebeu que pra eles o verdadeiro futebol nunca morreria.


Ademir Lopes
45 Anos, casado
Morador em Sto. André - sp
Escritor independente
Curso de letras na fundação abc
Clube de autores, publicação do livro: O Garotinho e o Leão que Voava.
@demilopes blog


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Créditos da imagem: (pode deixar que eu preencho isso)
Botafogo de 1960, por "botafoguense"

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