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Origem do nome “Indriso”






Cláudia Banegas

O indriso desenvolveu-se em Madrid, no ano de 2001. É um poema com dois tercetos e duas estrofes de verso único, os monósticos. Estamos diante de um padrão novo, entretanto dotado de uma musicalidade concreta. A nova modalidade surgiu na mente de seu criador enquanto meditava sobre a forma clássica dos sonetos e naquele instante, veio à sua mente a imagem dos versos fundindo-se em grupos menores.

Seu primeiro indriso chama-se Luna Menguante. Com vários outros escritos, Isidro publicou, quatro anos mais tarde, seu livro de indrisos chamado "El Manantial y otros poemas". Seu segundo livro chama-se "Memento Vivere".

A princípio, o escritor Isidro Iturat tentou criar um nome que fosse relacionado ao soneto (de onde os indrisos derivam-se), mas desistiu. Anos se passaram até que tivesse finalmente a solução para este dilema. Desejava um termo harmônico, e o procurou em várias obras literárias e científicas. Encontrou-o na voz de uma criança de apenas três anos de idade, que não conseguia dizer seu nome. Chamava-o sempre de "Indriso".

Por algum tempo, Isidro não imaginava sequer em nomear assim o poema, mas pouco a pouco o nome ressoava mais e mais aos seus ouvidos e a sensação era de gestação até que enfim, nasceu o Indriso. Durante o processo passaram-se cinco anos até que a nova poesia tivesse um novo nome. Logo após adotar o nome, Isidro descobriu que o termo "indriso" tinha origem anglo-saxã.

Esta é a surpresa linguística aos escritores e amantes do indriso. Nesta matéria, mais alguns exemplos desta nova poesia de origem espanhola:

Sopro de Dite
Magali Costa

Ah, esse vento que sopra!
Pressinto, sofro e entristeço...
Vendaval! Sopro de Dite* no meu peito!

E bate à porta
que bate a porta,
sopra, assusta, agita e assopra!

Vás-te de mim, infausto vento!

Será por culpa, carma, infortúnio ou puro tormento?



* Dite - cidade citada no livro "A Divina Comédia" de Dante. A Cidade de Dite servia de divisão entre os pecados cometidos sem intenção (culpa) e os pecados cometidos conscientemente (dolo). No indriso, a autora coloca o suspiro de Dite como personificação de algo pesado, doído e cheio de uma angústia indescritível.


Magali Costa Guimarães é escritora e mora em Brasília, DF. Link para sua página no Facebook





Desejo e castidade
Wellington Souza

Passo os dedos em tua boca
e abro-a – entreabro,
como se pudesse te fazer pedir.

Passa os dedos em meus olhos
e os fecha como em um cadáver querido
– mas não pode me fazer sonhar.

Há a demanda insatisfeita.

Há a oferta insatisfatória.



Wellington Souza é escritor e editor.

Créditos da imagem:
Três em linha, por Alexandre Rodrigues

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