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poemas de Izabela Orlandi





cortei a minha garganta
com três golpes duros
pânico da janela
cobras
paralisia
comemorar o nada
ordens
três vezes
let's disappear?
morte irrealizável
espaço sem
quatro três
dois
a chave em minhas mãos
não abre o diário:
é automático
ordens intransitáveis
repete
repete
repete
cortei a minha voz
com uma gota de apatia
0,50mg de frio
crescendo inexistência
no meu ventre seco
não escorre mais sangue
(humanidade)
somente
cortes e representações
(fantoche)









caixa de música
sem som
corte na carne
sem sangue
sexo
sem gozo

frio

Cecília disse
que se espantava
Cecília mentia
(sobrevivência)
nem enxergava









de presente?

São flores brancas
com o extremo lilás.

Seus caules sufocam
para adequarem-se
ao vaso transparente.

Flores desnudam os sentimentos.

É um exagero
a crua natureza da beleza.

Trêmula eu escolho
um vaso pequeno e transparente:
obrigo as flores a disputarem pela água.
Desejo que percam o ar da pureza.

Indecência!
Indecente aroma da minha prece!

Flores arrancam o olhar
do seu esconderijo.

Minha prece
ganha o fervor da urgência:
observo-as sufocarem.
E, então, estou sem ar,
Amém.


Izabela Orlandi
Estudante de psicologia na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e autora do livro "O que esperar de uma flor amarela?" - Editora Patuá, 2013
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Créditos da imagem:
foto de Francesca Woodman

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