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fetiches impróprios e outros poemas





por Ana Farrah Baunilha


Procura-­se

gente que sente, que não se contém, que explode de emoção
adictos em dopamina, com predileção por estados mórbidos
de paixão e sentimentos tortos

Precisa-­se
gente de alma espontânea, limpa, inteira
aberta a demonstrações públicas de afeto
e exposição ao ridículo sem medo

Prefere­-se
quem curte uma putaria,
gente sem vergonha de dizer palavrões
ou sentir secreções,
com experiência em fetiches impróprios
e práticas sado­-masô

Exige-se:
que seja visceral pra chorar, rir e beber
que esteja pronto pra tudo o que ninguém imagina
e deixe a inocência na pior esquina.
Paga-­se mal, mas diverte-­se bem.




histriônica

pervertida ninfomaníaca
hiperclitórica tarada da peste

mas tinha a orelha
tão miudinha




matinal

era algo sobre peitinhos, não usar 'sutiã', ou dar uma volta na praia sem a parte de cima do biquini...
– Ah, eu nem tô!
– Claro, tu nem tem!
pausa
– Tu é a criatura mais honesta que já cruzei nessa vida...
pausa (os dois caminhando pela beira do sal)
– Depois daqueles arbustos ali (aponta o dedo)
pausa
– Mais honesto que os arbustos?
e paramos por ali.




da auto-­hipnose progressiva

coloca um objeto no altar
e jura que ele é teu
santinho de rezar
cai de quatro em idolatria cega
pensa em anulação, em desespero
e trabalha
no endeusamento do outro
pronto.
zerou a personalidade,
comece a agir feito zumbi










Ana Farrah
é gaúcha da leva de 81, ano do Galo. Leu muita bula de remédio, vê poesia onde não tem e escreve desde sempre. Escorpiana caverninha, tem um autismo brando. E isto avança. Tem escritos no blog Mostra a cara no facebook:
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Créditos da imagem:

broken doll, by Jhayne

Reading is Sexy, by Musgo Dumio_Momio

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